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FILHOS E NETOS, PRESENTES DE DEUS!





"Os netos são a maneira que Deus encontrou de nos compensarmos pelo fato de envelhecermos!" M. H. Waldrip

Afinal, além da experiência de vida, sabedoria, de ter que pintar os cabelos a cada 21 dias (incluindo os das sobrancelhas, um mau sinal sem dúvida...) a chegada dos netos restaura uma alegria que só sendo avó para entender.

Essa semana lendo o livro de Rute me encantei com Noemi, de como ela foi fortalecida através da chegada de um neto. E o texto ressalta ainda que Noemi criou Obede junto com Rute. O texto diz que ela foi a ama da criança. As vizinhas declararam que a Noemi nasceu um filho! Ser avó é ser mãe duas vezes! Tendo a responsabilidade dividida.

Estudando um pouco da cultura judaica podemos perceber o quanto a família é extensa (avós, tios, primos) e estavam todos envolvidos na vida da criança.

Todo casal judeu desejava ter filhos. Em realidade, esse era o objetivo, o alvo do casamento. O casal desejava ser lembrado; e só através de descendentes isto estava assegurado. O planejamento familiar era uma alta prioridade na vida do casal israelita. A Bíblia usa muitas figuras interessantes para descrever a família. A mãe é como "videira frutífera"(Sal 128;3). os filhos são como rebentos de oliveira em torno da árvore paterna (Sal 128:3). Os filhos como flechas na mão do guerreiro (Sal 127:4).

Nos tempos bíblicos a chegada de uma criança era um acontecimento único, uma benção dos céus!

Como igreja somos responsáveis por preservar a importância desse momento. Criar rituais familiares, onde toda família se reúne para chegada do novo membro. Sempre na expectativa, de que independente de suas escolhas futuras, ele é amado bem vindo. E os avós tem um papel importantíssimo nesse momento, orientar sua filha ou filho em como receber a criança. Criando um atmosfera de amor e carinho para sua chegada. Declarando as bênçãos de Deus sobre as suas vidas! Na verdade os judeus preferiam ser ricos de filhos do que ricos de dinheiro. O interessante é que se tornaram ricos das duas maneiras; tanto em filhos quanto em posses!

Por hoje é só. Um beijo no coração e até a próxima!

CADA UM É UM...


O maior desafio de sermos pais e avós, no meu ponto de vista, é aceitar as diferenças de seus filhos/netos. Principalmente aceitar o fato de que o filho é diferente de nós. Ao contrário do que muita gente pensa, filho vem sim com manual de instrução, nós é que muitas vezes não sabemos ler.

Cada um é cada um, tem os mais desligados, os mais apegados, os mais sensíveis. Sem sombra de dúvida, todos choram quando contrariados (até nós, algumas vezes, rsrsrs). Todos amam uma bagunça, um mau feito sem maldade!! Se for menino todos querem ser o pastorzinho que matou Golias; no meu caso o problema é mais sério porque o Davi Lucas pensa que o direito é dele por causa do nome. Os dois querem ser o Flecha dos Incríveis (aquele desenho da família de super heróis). Nesse caso quando estão bem humorados entram no acordo que pode haver 2 flechas, apesar do Davi que tem um temperamento + melancólico (leia-se certinho) ter suas dúvidas. Mas são unânimes que o pai dele é o Senhor Incrível e o vovô Robson é o senhor Bochecha. As mães são a Senhora Incrível. E a vovó ainda não tive coragem de perguntar, qualquer hora eles vão me encontrar no desenho, tenho certeza.

Engraçado foi quando estávamos assistindo Madagascar, (acho que escreve assim) e a babá da Ana Luiza perguntou quem ela era (pergunta errada) e o Pedro sem pestanejar falou: -Marta você é o hipopótamo! Quem mandou perguntar, criança não mente.

Aliás ela aprende a mentir com os adultos! Na sinceridade todas são iguais!

Um beijo à todas as mamães, papais e vovós corujas.

Feliz Páscoa! E não se esqueça de explicar o porque de darmos ovos na páscoa e o seu significado real por trás do comércio de chocolate!

Vó Lúcia

A ARTE DE SER AVÓ por Rachel de Queiroz


Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.

Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!

Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Rachel de Queiroz